segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

TRÊS SONETOS DO TIO JUVENAL DEDICO-OS À MINHA PRIMA MARIA ALICE - LICINHA

JUVENAL ANTUNES DE OLIVEIRA -
POETA E PATRONO DAS ACADEMIAS DE LETRAS DO ACRE, DO RN E DA ACLA -
EZEQUIEL ANTUNES DE OLIVEIRA -MÉDICO DO EXÉRCITO - E SUA ESPOSA ALICE SOARES ANTUNES - PAIS DO TIO JOSÉ ANTUNES DE OLIVEIRA, QUE ERA CASADO COM tia ELZA PELOIA ANTUNES DE OLIVEIRA.
DESSE CASAMENTO NASCEU A ÚNICA FILHA: MARIA ALICE ANTUNES SOARES DE CAMARGO (A MINHA LICINHA DOS TIOS JOSÉ E ELZA).

JUVENAL ANTUNES
AOS 24 ANOS!
(Ao mano Ezequiel Antunes)

Apesar de homem feito,
Não é só veneração o que sinto por ti...
É mais do que respeito,
Vejo ainda, como vi,
Em menino, no teu olhar doce e sagrado,
O mesmo manancial
De ternura e carinho, oh! velho ser amado!
Oh! seio maternal!
Ainda o meu coração procura-te o calor...
Sinto, como senti,
Em menino, este puro, este infinito amor.
Tenho um desgosto imenso
De ser grande e pesado,
Não poder mais ser carregado
Por teus braços, no céu dos teus braços suspenso!
Afagas um netinho,
Todo aquele carinho
É um roubo feito a mim, que ainda por ele anseio...
Talvez digam que é feio...
Seja! Confesso ter ciúme do teu olhar!
Se a morte me escutar,
Quando te vier buscar para a eterna viagem
E houver de arrebatar-me aos olhos tua imagem,
Faça, com que também te siga, te acompanhe,
Minha querida mãe!

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JUVENAL ANTUNES
AOS 32 ANOS!
(Ao mano Ezequiel Antunes)


Entre as do mundo fúteis criaturas,
Já vivi muito mais de onze mil dias;
E contando alegrias e amarguras,
Tive mais amarguras, que alegrias.

Engolfei-me em cismares e poesias,
Cantei, como poeta, as coisas puras,
Sem saber, coração, que recolhias
Desilusões passadas e futuras.

Hoje, cético estou. Bem tarde, embora,
Vejo só ter razão quem geme e chora,
E quanta idéia vã nos enfeitiça....

De orgulhos e vaidades me desprendo;
E, como um simples verme, vou vivendo
Na calma, na indolência, na preguiça!


Nota: Sonetos escritos no ACRE.

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Juvenal Antunes
Soneto a Ezequiel


(Ao meu irmão Ezequiel Antunes de Oliveira, no dia de sua partida para o Salvador - Ba, em Recife, 16 - 04 - 1900)


Às vezes quando assim me interno,
Num eterno cismar, eu me recordo,
Daquele adeus tão prolongado e terno
Quando de te eu despedi - me a bordo!

Partiste, caro irmão e de meus olhos,
Lágrimas quentes rolam em turbilhão,
Meu coração, nos íntimos refolhos,
Padece a dor dessa separação!

Foste para longe, para além - mar partiste,
De pranto encheste esse meu peito triste,
Sempre ferido pela infelicidade!

Já declina o sol em intensa agonia
Morria o dia quando partiste, na sombria
Hora que nos impele à saudade.

Post - escriptum: Neste soneto singelo, mano querido, o meu coração pontilhado de estrelas pequeninas! J.A.

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