segunda-feira, 12 de março de 2012

SONETO DE UMA MÁGOA DE LAURA - JUVENAL ANTUNES DE OLIVEIRA.

JUVENAL ANTUNES

SONETO DE UMA MÁGOA DE LAURA

(Repartindo com o sobrinho Vicente Ignácio Pereira (*)


Pobre de mim, porque já não me amas
E mais vontade de possuir - te eu tenho!
E, assim, das chamas do desejo venho
E caio do desejo noutras chamas!

Carregarei, contudo, este meu lenho
Com a paciência que mesmo tu proclamas
Porque, vencendo oposição e tramas,
Ganharei o combate em que me empenho!

Hei de, afinal, qual mísero banido
Que volta ao pátrio solo estremecido
Cingir - te nos meus braços novamente!

E ao cume das delícias transportado
Esquecerei o teu rigor passado
Que me pungiu tão dolorosamente!

(*) DOS MANUSCRITOS DEIXADOS POR TIO JUVENAL

sexta-feira, 9 de março de 2012

JUVENAL ANTUNES NO ACRE - POR FRANKLIN JORGE ROQUE.

JUVENAL ANTUNES - POETA CEARAMIRINENSE

JUVENAL ANTUNES NO ACRE

Por Franklin Jorge


O Ceará-Mirim tem uma dívida com o pesquisador acreano José Wilson Aguiar, que foi arquivista do jornal “O Rio Branco” e dedicou-se, por empatia e curiosidade intelectual, ao estudo biográfico do célebre poeta norte-rio-grandense Juvenal Antunes [1883/1941].

Dotado do faro e da persistência de quem não se intimida diante de obstáculos, José Wilson mergulhou nas coleções dos jornais de época e entrevistou fontes primárias de informação, como Oswaldo Pinheiro, ex-governador do Acre, por muitos anos, amigo e vizinho de quarto do nosso poeta no famoso Hotel Madrid, em Rio Branco. São depoimentos que revelam aspectos curiosos de sua vida de solteirão impenitente.

Florentina Esteves, filha de dona Ida Rodrigues proprietária do Hotel Madrid, recorda em seu livro “Enredos da Memória”, a convivência felicíssima com Juvenal, improvisador brincalhão que se dispôs a ensinar-lhe rir, através de um permanente exercício do humor.

Esse homem que zombava de tudo, praticava, na verdade, a salvação pela graça. Assim, como parte dessa didática capaz de tornar a vida menos penosa e desagradável, Juvenal improvisava para o deleite da menina que se tornaria escritora;


Vem cá, minha menina,
De olhar da cor do céu.

Venha cá, sinhá Florentina,
Aprender com o menestrel

Da risada a excelsa arte:
Começando pelo “ah”.

Do tom mais baixo se parte,
Até alcançar o “ah”.

Assim, ouça: - “Ah! Ah! Ah! Ah!”.


Aos domingos, na “Folha do Acre” - jornal há muito desaparecido -, Juvenal publicava o horóscopo humorístico das pessoas distintas de Rio Branco, fazendo-se, por sua verve preciosa e inesgotável, querido e admirado por todos. Também cultivava a inofensiva mania de escrever cartas em versos.

O êxito, que desperta tantas vezes o ciúme e a inveja, deu ensejo à criação de versões de episódios biográficos, questionáveis ou apócrifos. Ao escrever estas linhas, penso especialmente em Océlio de Medeiros, que difundiu em suas memórias um venenoso e questionável testemunho que, ao engordar um catálogo de absurdidades de todos os gêneros, atribui ao poeta potiguar um comportamento que agride a verdade e embaralha os fatos.

Escrevendo sobre a permanência de Juvenal no Hotel Madrid, onde o jornalista Armando Nogueira ainda menino o conheceu, sentado diante do rio Acre, saboreando sozinho a sua cerveja Porter, Océlio descreve uma bacanal da qual o poeta cearamirinense teria sido um dos principais comparsas. Também o jornalista José Chalub Leite contribuiu com disparates para a biografia de Juvenal.

José Wilson tropeça em alguns momentos na inconsistência de um texto mal depurado ou demasiadamente submetido a restrições talvez nem sempre impostas por seus entrevistados. Porém, como pesquisador, amplia o nosso conhecimento da obra e da vida de Juvenal Antunes. Com um pouco mais de esforço e menos timidez, certamente ele teria nos dado uma obra definitiva sobre o grande satirista do Ceará-Mirim.

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(DOS MANUSCRITOS DEIXADOS POR JUVENAL ANTUNES À IRMÃ MADALENA ANTUNES, MATERIAL EM PODER DA NETA LÚCIA HELENA)

“Querida Zefa,

Começo felicitando-a pelo valioso título de primeira cozinheira do Brasil. Se é verdade o que dizes, avalio como não passaria bem se estivesse eu por aí, caso ainda fosses dona de Hotel.
A tua carta muito me fez rir. Vejo que continuas a mesma criatura do Hotel Gely, de Natal, cheia de superstições e crendices próprias dos nossos matutos e sertanejos. Também continuas acreditando em cartomancia? Viste três mulheres que desejam casar comigo? Ora, são mais de trinta! Não vou nesse embrulho, permanecerei solteiro, com a testa limpa, chegando à casa pela madrugada, livre e venturoso, sem ter que suportar cenas de ciúme de esposas fingidas ou não.
Madalena (minha dileta irmã), já sabe que és mulher muito mais séria do que tantas que andam por aí e por aqui. Ela sempre simpatizou contigo...porque és mulher de fibra, boa e caridosa, que até já lhe sinto um certo cheiro de santidade. Se não morrer antes dela, trabalharei para canonizá-la!
Vou sadio de corpo e alma, apesar de cinquentão. É que o Diabo ainda não levou minh’alma.
Ah! Zefinha, deixa de tolices e trata de gozar o resto da tua vida, porque este mundo não passa de brincadeira onde os infelizes e os loucos são apenas os que querem ter juízo que, afinal, de nada serve.
Repito que não desejo casar-me. Não sou tolo como tu...
Não sei se algum dia voltarei por aí, não sou lá de muitos planos. Faço tudo de veneta. Ainda, agora, quando vim do Acre, resolvi a viagem em poucos minutos. Como é agradável (em alguns aspectos) ser sozinho no mundo!
Escreve-me logo. Podes até nem acreditar, mas a verdade é que te quero ainda um bem maior do que a muitas outras mulheres, exceto à minha LAURA, que não é mulher, é um anjo e só penso nela de joelhos. Creio que esta, sem te esquecer, é a maior fraqueza de que me acuso”.

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Fotos do acervo de Lúcia Helena Pereira

quarta-feira, 7 de março de 2012

ZENEIDE BEZERRA (EX-JUÍZA DA COMARCA DE CEARÁ-MIRIM) - É UMA COLECIONADORA DE TÍTULOS E HOMENAGENS.

ZENEIDE BEZERRA
ATRAVÉS DO BLOG QUE EU CRIEI, PARA AS PUBLICAÇÕES DOS QUERIDOS CONFRADES DA ACLA E OUTROS ENCARGOS, DEDICO HOJE, DIA INTERNACIONAL DA MULHER, VOTOS DE PARABÉNS À MULHER BIÔNICA DO JUDICIÁRIO, MINHA QUERIDA AMIGA E DESEMBARGADORA MARIA ZENEIDE BEZERRA - EX-JUÍZA E DIRETORA DO FORO DA COMARCA DE CEARÁ-MIRIM, TERRA QUE ELA ELEGEU COMO A SUA SEGUNDA CIDADE.

EU TENHO DITO QUE PEDRO SIMÕES NETO, É O PRESIDENTE BIÔNICO DA ACLA, E É VERDADE, AFINAL, COMO ZENEIDE BEZERRA, ELE TAMBÉM APRESSA O PASSO EM PROL DO ENGRANDECIMENTO DA CULTURA E DA LITERATURA DO VALE, COM ATIVIDADES DESENVOLVIDAS DESDE A CRIAÇÃO, OFICIALIZAÇÃO E FUNDAÇÃO DA ACADEMIA CEARAMIRINENSE DE LETRAS, EM AGOSTO DE 2011, QUE TÃO NOBREMENTE ELE PRESIDE

HOJE, A NOSSA ZENEIDE BEZERRA SERÁ PRESTIGIADA PELA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA, PELO DIA INTERNACIONAL DA MULHER, ÀS 9:H, NAQUELA CASA, PELOS SEUS 30 ANOS DE MAGISTRATURA E PELA GRANDEZA DO PROJETO QUE ELA CRIOU E REALIZA: "JUSTIÇA NA PRAÇA", COM TOTAL APOIO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA.

PARABÉNS, MINHA LINDA!

terça-feira, 6 de março de 2012

A CIDADE DESABA - POR ENÉAS ATHANÁZIO

FRANKLIN JORGE

A CIDADE DESABAFA
Transcrito de Página 3 [Camboriú, Espírito Santo, 18 de fevereiro de 2012]
Por Enéas Athanázio


Escrever o romance de uma cidade através de entrevistas, se não é inédito e, pelo menos, incomum. Procurar pessoas dos mais diversos ofícios, costumes e formação e delas arrancar, sem qualquer forma de censura, o que pensam de bem ou de mal e tudo quanto lembram do passado, recente ou remoto, de uma cidade, eis uma tarefa que me parece das mais complicadas. É preciso vencer a resistência de algumas e superar o receio que outras tenham de se manifestar sem o temor de represálias ou ressentimentos.
Mas foi isso que fez Franklin Jorge, jornalista de experiência e renome, através de 50 entrevistas com as mais diversas personalidades de Natal [RN], num verdadeiro balanço da vida da cidade no correr do século passado. Com toda propriedade, foi assim que ele escreveu o romance de uma cidade, como diz o subtítulo de seu livro “O Spleen de Natal” [Editora da UFRN - Natal -2001]. E, se isso não bastasse,
Fez uma história com gente, algo vivo e palpitante, revelando a alma e o sentimento urbano, não se limitando aos elogios bairristas mas, ao contrário, destacando o negativo quando merecido.
É curioso notar que as entrevistas não tem títulos e nem tampouco as costumeiras perguntas e respostas. As palavras do entrevistador e do entrevistado se misturam sem que surja qualquer confusão, uma vez que o leitor percebe com perfeição quando fala este ou aquele. Daí resultam textos que se assemelham a crônicas, cada uma delas compondo um capítulo desse curioso romance de uma cidade conhecida como a terra do sol e por sua paisagem natura e urbana.
Para bem captar a atmosfera da cidade, seu espírito e seu humor, o autor entrevistou todo tipo de gente. Poetas, escritores, jornalistas, cantores populares, atores, músicos, artistas plásticos, figuras pitorescas, visitantes, profissionais, funcionários, gente simples do povo, pescadores, favelados, líderes comunitários, agitadores, idosos e jovens. E de cada um foi extraindo com habilidade as informações desejadas e, mais que isso, as opiniões a respeito da vida urbana, sua história, sua cultura, as personalidades destacadas e tudo mais.
É freqüente a a queixa contra o desinteresse e a ausência de apoio do poder público ás coisas da cultura, males que parecem nacionais, uma vez que a quase totalidade dos políticos ainda julga a cultura uma espécie dispensável de perfumaria. Por outro lado, há quem lamente a apatia dos jovens e sua incapacidade de indignação. E quando isso acontece, “as coisas estão pretas”. Também há quem lamente as costumeiras “panelas” que surgem em defesa de interesses mútuos, nem sempre legítimos, como existem em toda parte. Surge mesmo quem não goste do passado porque “o passado transforma as coisas e faz os mortos melhores do que foram em vida. O passado é falsário por natureza...” [pág.75].
Uma presença perpassa o livro do começo ao fim, revelando a força de sua personalidade e a influencia que exerceu. Trata-se de Luis da Camara Cascudo [1898/1986], folclorista e historiador da cidade. Aparece como o jovem “dandi”, filho-de-papai, deitado numa rede e acocado pelas mulheres da casa, assim como em tantas outras fases da vida. O pesquisador, o escritor, o professor, o orador, o mestre. Sua reconhecida bondade, a discrição permanente, o interesse pela cultura popular, a repercussão nacional de sua obra, o amor á cidade da qual nunca quis sair e a imensa roda de amigos que invadiam seu chalé e que ele, com a maior franqueza, mandava baixar em outro terreiro quando se excediam nas visitas. Cascudo foi vitima permanente dos invejosos, sempre tentando diminuí-lo, desprezado pela gente bem porque se dedicava ás coisas do povo humilde, frequentando bibocas do porto e da praia. Com quem tive a sorte de passar toda uma tarde, em 1983, três anos antes de seu falecimento.
Alheio e acima dessas miudezas, ele trabalhou, tornando-se o maior e o mais festejado folclorista nacional. E com seu reconhecido bom humor, saboreando o inseparável charuto, dizia que parente é amigo por obrigação, enquanto amigo é parente por vocação.

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sexta-feira, 2 de março de 2012

A QUERIDA CONFREIRA DA ACLA-RN, LEDA MARINHO VARELA DA COSTA - TEM SEU NOME APROVADO PARA O QUADRO DE SÓCIOS DO IHG/RN.

LEDA MARINHO VARELA DA COSTA
A NOSSA CONFREIRA DA ACADEMIA CEARAMIRINENSE DE LETRAS E ARTES, DA ACADEMIA FEMININA DE LETRAS DO RN, DA UBE/RN E DA AJEB/RN, TEVE SEU NOME APROVADO POR UNANIMIDADE PARA O QUADRO DE SÓCIOS DO IHG/RN.
O COMUNICADO CHEGOU-ME POR TELEFONE, DO PRESIDENTE DO IHG/RN EM EXERCÍCIO - DR. JURANDYR NAVARRO - QUE INFORMOU, COM JUBILOSA ALEGRIA, MAIS ESTE NOME REPRESENTATIVO APROVADO EM REUNIÃO DE 02-03-2012, NAQUELA ENTIDADE.

PARABÉNS À NOSSA CONFREIRA LEDA.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

FESTA NO CÉU - NESTE ALVORECER DE 01-03-2012, DOIS MESES DO ENCANTAMENTO DE RUYMA MANSUR PEREIRA.

RUYMA MANSUR PEREIRA

Dois meses do encantamento de Ruyma que faz a festa no céu.
Ela está arrodeada de anjos e santos, ao lado de Papai do Céu e N.Sra. da Conceição.
Seus familiares sentem sua falta e recordam-na com o eterno sorriso de alegria, com sua maneira simples de ser, acentuada com a marca da sua bondade e grande afeição por todos.

Deus a conserve nesse reino de luz e paz e que os seus filhos sejam felizes, assim como seus pais, sua tia-mãe, seus tios, sua irmã, seus primos e amigos.

A M É M!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

APENAS PIEDADE - POR LÚCIA HELENA PEREIRA.


APENAS PIEDADE
Lúcia Helena Pereira

Queria tanto que você amasse o amor.
Que pudesse arrefecer o ódio do seu coração
E até mimasse um pouco a inveja alheia
Cuidando dela e salvando as suas feridas!

Queria tanto que sentisse o perfume dos espinhos,
As rosas não existiriam sem eles,
Assim como os amigos na escuridão,
Tão carentes da luz acesa em nossas almas!

Queria tanto que você perdoasse o desamor,
Afinal só o sente quem nunca amou
Quem vive tão amargamente,
Sem sorrisos e sem estrelas nos olhos!

Queria tanto que não desprezasse o falso...
Ele é um ser solitário e infeliz.
Seja tolerante com o amargor dos insensatos,
Que tanto carecem do nosso louvor, para oprimir a dor!

Queria tanto que você parasse um pouco
E contemplasse uma flor parindo ao amanhecer,
Exalando seu olor, sua sutileza e abrindo - se,
Com pétalas rosadas - poder da criação DIVINA!

Queria tanto que você me desse um beijo,
Para que eu pudesse reparti - lo em mil,
E amar o amor, ajudar os descontentes,
Os que jamais conheceram - A PIEDADE!

Este poema, feito neste exato instante,
É só para dizer que a POESIA é o bafo de Deus
Soprando em nossas narinas...
Afinal, a poesia pode ser APENAS PIEDADE!